A Justiça do Rio atendeu a um pedido do governo estadual e da Rioprevidência nesta quinta-feira (23), determinando o bloqueio de até R$ 135 milhões nas contas do Banco Master, além das empresas Trustee Distribuidora, Axor Asset e de dois executivos ligados às operações, para reaver prejuízos provocados ao erário.
A disputa judicial se originou a partir de uma aplicação de R$ 150 milhões realizada pelo fundo estadual entre julho e agosto de 2025. O montante foi destinado ao Fundo de Investimento “Texas i Fia”, que concentrava quase toda a sua carteira em papéis da empresa Ambipar Participações e Empreendimentos S.A.
Cerca de 12 meses após o aporte, contudo, os papéis sofreram uma forte queda de valor no mercado, resultando em um prejuízo acumulado de aproximadamente R$ 15 milhões para os cofres da autarquia de previdência.
Indícios de gestão temerária e fraude
Na fundamentação da decisão, o magistrado Wladimir Hungria, da Vara de Fazenda Pública, destacou que o nível de sofisticação do esquema demonstra que os envolvidos detinham o domínio das operações que resultaram na pulverização do recurso público.
Além disso, o juiz sublinhou que a opção por investir uma quantia volumosa em um único ativo sugere forte indício de gestão temerária por parte dos gestores do Rioprevidência à época.
Segundo a decisão, a alocação concentrada pode ter sido utilizada para criar uma demanda artificial capaz de inflar o valor das ações, sujeitando a autarquia a uma vulnerabilidade evidente para viabilizar a manobra financeira.