O ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, buscando derrubar a decisão do ministro Alexandre de Moraes que impede o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitá-lo. A iniciativa visa garantir o direito de visita ao ex-mandatário, que cumpre prisão domiciliar.
A proibição imposta pelo ministro Moraes na semana anterior surgiu após Flávio divulgar, em suas redes sociais, uma carta redigida pelo ex-presidente. Essa ação foi interpretada como descumprimento das condições da prisão domiciliar, que proíbem Bolsonaro de realizar postagens ou tê-las veiculadas por terceiros.
No cerne do recurso, a equipe jurídica de Bolsonaro sustenta que Flávio não é apenas seu filho, mas também um de seus advogados. Por essa razão, argumentam que ele possui o direito legalmente assegurado de realizar encontros com o pai.
A defesa enfatiza que "Flávio Nantes Bolsonaro, além de ostentar a condição de filho do Agravante, é advogado regularmente constituído nos autos, integrando a equipe de defesa no bojo da presente execução penal e subscrevendo, inclusive, as manifestações apresentadas perante esta Suprema Corte".
Para o ministro Alexandre de Moraes, a divulgação da carta configura uma clara violação das regras estabelecidas para o cumprimento da prisão domiciliar de Bolsonaro.
Os advogados de Bolsonaro, por sua vez, defendem que o ex-presidente não tinha conhecimento prévio da intenção de postagem da carta. Eles afirmam que não houve qualquer orientação ou combinação por parte de Bolsonaro para a publicação do conteúdo.
Contexto da prisão domiciliar
No ano passado, Bolsonaro foi condenado a uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão, resultado do processo referente à trama golpista. Posteriormente, após ser submetido a uma intervenção cirúrgica, obteve o benefício da prisão domiciliar humanitária. Atualmente, o ex-presidente segue em recuperação de um quadro de pneumonia bacteriana.
As visitas a Bolsonaro, durante o período de cumprimento da pena em regime domiciliar, necessitam de autorização prévia. Essa permissão deve ser concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, que atua como relator da execução penal.