Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 19 de Agosto 2026
Especialistas alertam para risco de ações cibernéticas e interferência de bigtechs nas eleições no Brasil
Política

Especialistas alertam para risco de ações cibernéticas e interferência de bigtechs nas eleições no Brasil

Endurecimento de medidas de Donald Trump contra o país indica avanço de pressões e espionagem no ambiente digital.

IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Especialistas em relações internacionais e tecnologia alertam que os Estados Unidos podem utilizar ações cibernéticas e a manipulação através das bigtechs para tentar influenciar o resultado das eleições gerais de outubro no Brasil. O aviso decorre do agravamento das medidas diplomáticas e econômicas recentes adotadas pelo governo norte-americano contra o país.

A escalada de pressões da gestão de Donald Trump, que já inclui a imposição de tarifas de 25% e a revogação de vistos de autoridades brasileiras, sinaliza que o ambiente virtual será a próxima frente de investidas. A avaliação é de analistas ouvidos pela Agência Brasil, entre eles o pesquisador Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação.

Aragon, que edita o portal Código Aberto, destacou a gravidade inédita de um memorando assinado por Trump. O documento autoriza formalmente a cooperação da Casa Branca com gigantes da tecnologia para a execução de operações de vigilância e a geração de efeitos cibernéticos.

Publicidade

Leia Também:

Segundo o pesquisador, a medida permite espionagem de alto nível e invasões profundas. Na prática, agentes podem acessar perfis de cidadãos sem autorização prévia para elaborar dossiês com o objetivo de favorecer ou prejudicar candidaturas específicas.

Oficialmente justificadas pelo combate ao crime transnacional, as ações autorizam o acesso a sistemas de informação sem a devida permissão do proprietário. Além disso, a diretriz permite a interferência direta em redes de telecomunicações, na internet e em sistemas de controle industrial.

Essas intervenções podem resultar em degradação, interrupção ou destruição de infraestruturas físicas e virtuais. Diante desse cenário, Aragon enfatizou a urgência de o Brasil investir na própria autonomia digital, já que os sistemas sensíveis do Estado dependem atualmente de corporações estadunidenses.

Ações subterrâneas

Ao contrário das pressões diplomáticas públicas, as ofensivas no ecossistema digital costumam ocorrer de maneira velada e sem deixar rastros explícitos de autoria. O impulsionamento direcionado de conteúdos em redes sociais representa apenas uma fração das táticas em curso, caracterizando um risco sistêmico e estrutural.

Em resposta a movimentos suspeitos, o governo brasileiro barrou a entrada de dois representantes do Departamento de Estado dos EUA em julho. Havia indícios de que os assessores do secretário Marco Rubio pretendiam contestar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

Tentativa de desacreditar o sistema eleitoral

O historiador e especialista em geopolítica Euclides Vasconcelos ratifica a expectativa de novas investidas norte-americanas focadas em desacreditar o processo de votação no país. Para o docente, as plataformas virtuais atuam como braços estratégicos de governos, capazes de direcionar e moldar o comportamento de recortes demográficos específicos.

Vasconcelos citou o episódio de imigração em massa no enclave de Ceuta, na África, como exemplo da eficácia dessas estratégias. Na ocasião, mais de 60 mil pessoas cruzaram a fronteira movidas por desinformação coordenada em redes sociais do Marrocos.

O analista ponderou ainda que a aproximação de executivos da tecnologia com a gestão de Donald Trump reforça essa sinergia. Em junho de 2025, o Exército dos EUA nomeou líderes de empresas como Meta, OpenAI e Palantir para postos de tenentes-coronéis do Destacamento 201, estrutura criada para integrar o setor tecnológico às forças armadas.

Nova doutrina de segurança dos EUA

Por trás dessa estratégia está a atual doutrina de segurança de Washington, formulada no fim de 2025, que busca consolidar a hegemonia dos EUA sobre a América Latina. De acordo com Vasconcelos, o objetivo central é assegurar governos alinhados em todo o continente, a exemplo de intervenções observadas na Colômbia.

Em declarações recentes, Donald Trump indicou a disputa eleitoral brasileira como um teste decisivo para a geopolítica regional norte-americana. O posicionamento foi reforçado por um vídeo do Departamento de Estado reafirmando que o domínio da potência sobre o hemisfério não deve ser contestado.

Vasconcelos conclui ressaltando que o Brasil representa o elemento central desse xadrez geopolítico, sendo historicamente enxergado por Washington como a única nação sul-americana capaz de contrapor a hegemonia estadunidense na região.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Lnove Notícias
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR