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Quinta-feira, 20 de Agosto 2026
Regra do TSE limita algoritmos das bigtechs e vira alvo de críticas nos EUA
Política

Regra do TSE limita algoritmos das bigtechs e vira alvo de críticas nos EUA

Representante do governo norte-americano acusou a norma eleitoral brasileira de promover censura nas redes.

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Uma norma aprovada pelo TSE para controlar o uso de algoritmos por bigtechs durante as eleições tornou-se alvo de contestação por parte do governo dos Estados Unidos. A medida impede que as redes sociais façam recomendações orgânicas de perfis políticos aos usuários no Brasil, visando assegurar a igualdade na disputa e a lisura do pleito.

A crítica norte-americana partiu de Sarah B. Rogers, subsecretária de diplomacia pública do Departamento de Estado dos EUA. Ela classificou a diretriz da Resolução nº 23.732 como uma “censura imposta pelo Brasil”, após a plataforma X alertar seus internautas de que só recomendaria páginas políticas para quem já as seguisse.

Diante das alegações, a Justiça Eleitoral brasileira reiterou que as regras têm o objetivo exclusivo de mitigar riscos e proteger a integridade do processo democrático. O órgão não enviou comentários adicionais sobre a manifestação externa.

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Especialistas rebatem acusação norte-americana

Especialistas em direito eleitoral e tecnologia ouvidos pela reportagem consideram a acusação infundada. Segundo os analistas, a determinação não proíbe publicações ou manifestações dos candidatos, restringindo apenas a distribuição automatizada e não paga pelas plataformas.

Alexandre Arns Gonzales, doutor em ciência política pela UnB e integrante do DiraCom, salienta que a intenção central é evitar distorções. Sem esse limite, os sistemas das empresas de tecnologia poderiam conceder visibilidade desproporcional a determinados perfis sem critérios transparentes.

Gonzales lembra que a regulamentação é fundamentada pelo histórico recente de manipulação digital em pleitos globais, a exemplo das campanhas sobre o Brexit e do plebiscito de paz na Colômbia, ambos em 2016.

Para o pesquisador, o debate gira em torno de entender se os direcionamentos das plataformas decorrem de falhas operacionais ou de uma orientação puramente comercial das corporações digitais.

Amparo na Constituição e isonomia

O advogado eleitoralista Alberto Rollo reforça que a decisão possui respaldo na Constituição Federal, garantindo condições equitativas entre os participantes da disputa político-partidária.

De acordo com Rollo, proibir a indução artificial de alcance evita suspeitas de favorecimento por parte das empresas que controlam esses sistemas, assegurando o cumprimento das leis do país.

Arns Gonzales acrescenta que a reação das autoridades norte-americanas evidencia um alinhamento com a rede social X, de Elon Musk, repetindo episódios recentes de confronto com o Judiciário brasileiro.

Regras para propaganda paga e inteligência artificial

Apesar de vetar a indicação orgânica, a legislação brasileira autoriza o impulsionamento pago de conteúdos políticos, desde que contratado dentro dos limites financeiros fixados para cada campanha.

Ainda assim, especialistas alertam para a necessidade de fiscalização contínua sobre esses anúncios pagos, uma vez que as plataformas podem aplicar critérios e custos diferentes para cada candidato, afetando a isonomia do processo.

Além dos sistemas de recomendação, o normativo atinge ferramentas de Inteligência Artificial. A regra proíbe categoricamente que chatbots e assistentes virtuais façam ranqueamento de candidatos, emitam opiniões políticas ou recomendem opções de voto aos eleitores.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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