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Segunda-feira, 22 de Junho 2026
Viúva de motorista de aplicativo assassinado em Guarulhos detalha dificuldades no julgamento do caso Gritzbach
Justiça

Viúva de motorista de aplicativo assassinado em Guarulhos detalha dificuldades no julgamento do caso Gritzbach

O julgamento dos policiais acusados pela morte do empresário e do condutor inocente, ocorrida em novembro de 2024, revela o impacto devastador nas famílias.

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Nesta segunda-feira (22), a viúva de Celso Araujo Sampaio de Novais, o motorista de aplicativo fatalmente atingido durante a execução do empresário e delator Vinicius Gritzbach, prestou depoimento no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Como testemunha de acusação, ela descreveu as severas dificuldades, especialmente financeiras, que enfrenta desde a trágica perda do marido, ocorrida em novembro de 2024.

Com o nome preservado durante a audiência, a viúva emocionou-se ao detalhar o impacto da ausência do companheiro. "Ele me auxiliava no pagamento do aluguel. Era um grande provedor", afirmou. "Atualmente, enfrento desafios para custear o aluguel e até mesmo os óculos do meu filho, preocupações que antes não existiam."

O crime ocorreu em 8 de novembro de 2024, nas proximidades do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Naquela data, o marido da testemunha estava de passagem quando indivíduos encapuzados emergiram de um veículo, efetuando múltiplos disparos contra Gritzbach, que teve morte instantânea no local.

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A mãe do motorista assassinado, Aparecida Camilo, de 65 anos, acompanhou o depoimento da nora. Na plateia do júri, Aparecida não conteve as lágrimas ao ouvir os relatos sobre seu filho, em um dos momentos mais comoventes da sessão.

A viúva compartilhou com a Justiça a dor do filho pequeno: "Nosso filho questiona constantemente: 'Por que tiraram o meu pai de mim?'", expressando o profundo trauma da família.

O motorista de aplicativo, uma vítima inocente que apenas transitava pelo aeroporto, foi atingido por um tiro no rim. Conforme o depoimento da viúva, estilhaços de projéteis também perfuraram seu fígado. Tragicamente, ele veio a óbito no dia subsequente ao assassinato de Gritzbach.

Um perito criminal, que também depôs como testemunha de acusação nesta segunda-feira, informou à Justiça que foram disparados pelo menos 27 projéteis durante o ataque, evidenciando a intensidade da violência.

Policiais no banco dos réus

Três policiais militares são os réus neste julgamento, acusados pelos dois homicídios. São eles: o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, todos atualmente detidos.

Os acusados encontram-se recolhidos no Presídio Militar Romão Gomes. O Ministério Público aponta o cabo Denis Martins e o soldado Ruan Rodrigues como os executores de Gritzbach, utilizando fuzis. O tenente Fernando Genauro, por sua vez, é acusado de transportar a dupla até o local do crime e auxiliar na fuga.

Os réus compareceram ao Fórum nesta segunda-feira para acompanhar o processo, que tem duração prevista de cinco dias. Contudo, a entrada deles na sala de julgamento foi autorizada somente após o depoimento das duas primeiras testemunhas de acusação.

Essa condição foi imposta a pedido das próprias testemunhas, que solicitaram à Justiça serem ouvidas sem a presença dos policiais.

As duas primeiras testemunhas ouvidas eram vítimas diretas do atentado. Uma delas, um funcionário do aeroporto, sofreu ferimentos na mão devido a estilhaços. A outra, uma mulher, foi atingida por estilhaços na região abdominal enquanto aguardava um carro de aplicativo no Terminal 2, após retornar de uma viagem a trabalho.

Em seus depoimentos, ambas as vítimas declararam não ter qualquer ligação com os falecidos ou com os acusados, enfatizando que foram pegas de surpresa pelos disparos.

Vinicius Gritzbach, a principal vítima da execução, respondia a processos por homicídio e era investigado por seu suposto envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Antes de seu assassinato, ele havia firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público do Estado de São Paulo, revelando nomes de indivíduos conectados ao PCC e denunciando casos de corrupção envolvendo policiais.

Testemunhas de acusação

Os promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes conduzem a acusação, tendo arrolado um total de dez testemunhas. Até as 14h, apenas quatro haviam sido ouvidas: as duas vítimas feridas pelos disparos, a viúva do motorista de aplicativo e um perito responsável pela investigação.

Curiosamente, uma dessas dez testemunhas de acusação também foi arrolada pelos advogados de defesa, que, no total, listaram 12 testemunhas para depor.

A ordem dos depoimentos estabelece que as testemunhas de defesa só iniciarão suas falas após a conclusão da oitiva de todas as testemunhas de acusação.

Previamente ao início do júri popular, os advogados de defesa dos réus concederam declarações à imprensa. Eles reiteraram a inocência de seus clientes e alegaram que todo o inquérito policial foi "manipulado", buscando descredibilizar as provas apresentadas.

Júri popular

Para compor o júri popular, foram selecionados sete cidadãos da população em geral: três mulheres e quatro homens, que terão a responsabilidade de julgar o caso.

Após a oitiva das testemunhas de acusação e defesa, proceder-se-á ao interrogatório dos réus. Posteriormente, terá início a fase de debates, onde a acusação e a defesa apresentarão suas argumentações finais.

Somente após todas essas etapas, os sete jurados se reunirão em câmara secreta para deliberar e decidir sobre a condenação ou absolvição dos três policiais pelos crimes imputados.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Paulo Pinto/Agência Brasil

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