A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (19) as diretrizes para injetar até R$ 5,5 bilhões no sistema elétrico, visando a redução da conta de luz para consumidores de 22 distribuidoras de energia em diversas regiões do país. Essa medida beneficiará clientes do Norte, Nordeste, Mato Grosso, e partes de Minas Gerais e Espírito Santo, com o objetivo de aliviar o custo das tarifas de energia.
A iniciativa da Aneel busca mitigar os elevados custos de geração e distribuição de energia que afetam essas localidades, em particular as áreas isoladas que dependem de usinas termelétricas a diesel, resultando em tarifas mais onerosas.
Estima-se que o desconto médio nas tarifas possa atingir 4,51%. Contudo, o percentual definitivo será calibrado conforme o montante total de recursos arrecadados e os reajustes tarifários aplicados a cada distribuidora ao longo de 2026.
De onde vêm os recursos
Os fundos provêm do encargo de Uso de Bem Público (UBP), uma quantia paga pelas usinas hidrelétricas à União pela utilização dos recursos hídricos para a geração de energia elétrica.
Embora as geradoras sejam as responsáveis por esse pagamento, na prática, o custo do UBP é incorporado às tarifas cobradas pelas distribuidoras de energia, sendo, em última instância, repassado aos consumidores finais.
Até o início deste ano, as hidrelétricas efetuavam esse pagamento de forma parcelada, por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo essencial para o financiamento de políticas no setor elétrico.
Uma legislação recente autorizou as hidrelétricas a anteciparem o pagamento dessas parcelas futuras com um desconto de 50%. Em contrapartida, os valores arrecadados serão direcionados para a redução das tarifas de energia nas áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Como funcionará a distribuição
A Aneel estabeleceu a metodologia para a distribuição desses recursos entre as distribuidoras de energia que serão beneficiadas pela medida.
O critério adotado visa assegurar um equilíbrio nos efeitos dos descontos entre as concessionárias, considerando a dimensão de cada mercado e os custos específicos da energia elétrica em cada região.
Inicialmente, o governo projetava arrecadar até R$ 7,9 bilhões com a antecipação do UBP. Contudo, nem todas as geradoras participaram do acordo; das 34 empresas elegíveis, 24 optaram por antecipar os pagamentos, resultando em uma previsão final de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.
O pagamento por parte das hidrelétricas está agendado para julho. Após essa etapa, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) comunicará à Aneel o montante exato arrecadado.
Somente então a agência poderá definir os percentuais preliminares de desconto a serem aplicados nas contas de luz.
Percentuais previstos
A Aneel considera três cenários distintos para o desconto médio nas tarifas de energia:
• Se a arrecadação for de R$ 4,5 bilhões, a redução média pode ser de 5,81%;
• Com R$ 5 bilhões arrecadados, a redução média estimada é de 5,16%;
• No cenário de R$ 5,5 bilhões arrecadados, prevê-se uma redução média de 4,51%.
A agência reitera que o percentual efetivo de desconto para cada distribuidora de energia será determinado pelos respectivos processos de reajuste tarifário ao longo do próximo ano.
Quem será beneficiado
A medida alcança consumidores atendidos por distribuidoras localizadas:
• Consumidores nas regiões Norte e Nordeste;
• No estado do Mato Grosso;
• Em áreas específicas de Minas Gerais;
• Em partes do Espírito Santo.
Esta política é direcionada aos consumidores “cativos”, aqueles que adquirem energia elétrica diretamente das distribuidoras de energia e não fazem parte do mercado livre.
Desconto antecipado
Algumas distribuidoras de energia já começaram a empregar parte desses recursos de forma antecipada. As concessionárias Neoenergia na Bahia e Equatorial no Amapá, por exemplo, solicitaram a antecipação dos valores durante seus respectivos processos tarifários.
A Amazonas Energia também foi beneficiada, recebendo R$ 735 milhões da repactuação. A Aneel informou que o reajuste médio aprovado para os consumidores dessa distribuidora foi de 6,58%, mas sem o aporte financeiro, o aumento teria sido significativamente maior, alcançando 23,15%.
Outras empresas, como Enel Ceará, Roraima Energia, Energisa Rondônia e Energisa Acre, aguardam a liberação dos recursos para implementar os novos descontos nas tarifas de energia.
Objetivo da medida
A Aneel reitera que esta política visa aliviar o impacto da conta de luz em regiões que enfrentam custos operacionais mais elevados e uma base menor de consumidores, em contraste com outras áreas do Brasil.
Tais localidades frequentemente dependem de geração térmica e de sistemas isolados, fatores que elevam substancialmente os custos de produção e distribuição de energia elétrica.
Conforme a agência, os efeitos desses descontos serão progressivamente integrados aos reajustes e revisões tarifárias das distribuidoras de energia ao longo do ano de 2026.