O Ministério das Relações Exteriores do Brasil recusou a concessão de vistos a dois funcionários do governo dos Estados Unidos que planejavam se reunir com autoridades para tratar do debate sobre as urnas eletrônicas e a liberdade de expressão. A decisão foi formalizada na última sexta-feira (24) e confirmada no sábado (25) pelo Itamaraty.
A medida barrou a entrada no país dos diplomatas Riley Barnes, subsecretário do Departamento de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e do subsecretário adjunto Samuel Samson.
O governo brasileiro avaliou que a missão configurava uma tentativa de instrumentalização política no contexto eleitoral. A solicitação de entrada ocorreu logo após políticos brasileiros levantarem suspeitas infundadas sobre o sistema de votação durante um encontro com diplomatas estrangeiros.
Esclarecimentos sobre a segurança do sistema eleitoral
Os questionamentos em relação ao processo de votação ganharam destaque após declarações do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Em evento realizado em Brasília na segunda-feira (21), ele afirmou, sem apresentar provas, que os equipamentos brasileiros pertenceriam à empresa venezuelana Smartmatic.
Em resposta na quarta-feira (22), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu expressamente a informação, garantindo que a Smartmatic jamais forneceu urnas eletrônicas ou softwares para as eleições nacionais.
A Justiça Eleitoral destacou que os aparelhos de votação são projetados e desenvolvidos inteiramente por técnicos e servidores do TSE. O órgão reiterou que a fabricação é contratada via licitações públicas concorrenciais sob rígida coordenação direta, assegurando total transparência ao processo democrático.