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Domingo, 26 de Julho 2026
Galípolo explica alerta do Banco Central sobre manobra do Banco Master em crise de liquidez
Economia

Galípolo explica alerta do Banco Central sobre manobra do Banco Master em crise de liquidez

Presidente do BC, Gabriel Galípolo, revelou na Comissão de Assuntos Econômicos que a criação de novas carteiras de investimentos pelo Banco Master, em cenário de crise de liquidez, foi o fator que acionou o alerta do Banco Central.

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Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (19), o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, esclareceu que a criação de novas carteiras de investimentos pelo Banco Master para captação de recursos no mercado, em um período de acentuada crise de liquidez da instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, foi o principal indicativo para o Banco Central de que havia irregularidades na gestão.

A liquidez bancária refere-se à capacidade de uma instituição financeira honrar seus compromissos e dívidas de curto prazo com recursos imediatamente disponíveis.

Galípolo detalhou aos senadores a inconsistência: "Um banco enfrentando problemas de liquidez não deveria estar formando novas carteiras de investimento. A lógica dita que, em tal situação, a instituição venderia carteiras existentes para obter capital. A criação e venda de carteiras novas, contudo, foi o que imediatamente levantou suspeitas no BC".

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O presidente do BC fez questão de defender a atuação da autoridade monetária frente ao caso do Banco Master, que posteriormente foi alvo de acusações de fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional.

Segundo Galípolo, em novembro de 2024, um termo de compromisso foi firmado com o Banco Master, estabelecendo um prazo de seis meses para que a instituição promovesse adequações em sua governança, capital e liquidez.

Inicialmente, o Banco Master buscou captar recursos no mercado com o amparo de garantias do Fundo de Garantia de Créditos (FGC). Contudo, a instituição logo enfrentou restrições para continuar essa captação via FGC.

Diante desse cenário, o Banco Master tentou, sem êxito, obter financiamento por meio de fundos de investimento.

Galípolo explicou que, após as dificuldades, o banco "intensificou os processos de venda de carteiras que já vinha realizando desde 2023, especialmente para o BRB".

A Polícia Federal atualmente investiga a venda de carteiras de investimentos do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), uma instituição pública vinculada ao Governo do Distrito Federal (GDF). Há suspeitas de fraude em aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos negociados.

Além disso, uma tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB foi vetada pelo Banco Central.

Em janeiro de 2025, com o Banco Master novamente formando novas carteiras de investimentos apesar de seus persistentes problemas de liquidez, o Banco Central estabeleceu um grupo dedicado à análise dessas operações.

A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada em 18 de novembro de 2025, dez meses após a recusa do BC à proposta de compra da instituição de Daniel Vorcaro pelo BRB.

Antes de sua liquidação, o Banco Master apresentou uma alternativa que envolveria a entrada de supostos investidores árabes, cuja identidade, segundo Gabriel Galípolo, presidente do BC, nunca foi formalmente conhecida pela autoridade monetária.

Galípolo complementou: "Após a rejeição da compra do BRB, o banco protocolou um segundo pedido junto ao FGC e ao Banco Central, propondo uma 'saída organizada do mercado'. Isso significava o reconhecimento da inviabilidade da instituição e a intenção de realizar uma autoliquidação, transferindo-a para esses investidores árabes. No entanto, eu jamais tive conhecimento formal da existência ou identidade deles."

Risco sistêmico

O presidente do Banco Central reiterou sua defesa de que a liquidação do Banco Master não representava um risco sistêmico para o mercado financeiro, capaz de desencadear uma crise bancária generalizada.

"O Banco Master não apresentava risco sistêmico, representando menos de 0,5% do sistema bancário", afirmou Galípolo. "A atenção do público, ao que parece, tem se voltado para a destinação dos recursos que estavam sob a gestão do banco."

Galípolo também ponderou que a medida de liquidação de um banco não deve ser vista como uma punição aos seus gestores, uma vez que o público, incluindo os correntistas, é quem acaba sendo prejudicado.

"Punir uma instituição que foi vítima de má gestão é um equívoco, pois isso representa uma dupla punição para as vítimas, incluindo os correntistas", declarou Galípolo. "A liquidação de uma instituição não visa punir seus gestores, mas sim é uma medida tomada apenas quando a instituição atinge um ponto crítico e insustentável."

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Lula Marques/Agência Brasil.

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