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Terça-feira, 12 de Maio 2026
O preço do óleo diesel registra a quarta queda em cinco semanas, com dados da ANP
Economia

O preço do óleo diesel registra a quarta queda em cinco semanas, com dados da ANP

O litro do diesel S10 alcançou o preço médio de revenda de R$ 7,24 na semana de 3 a 9 de maio, conforme monitoramento da Agência Nacional do Petróleo.

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A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que o preço do óleo diesel no Brasil registrou seu quarto recuo em um período de cinco semanas, acumulando uma queda de 4,5% no período. Este declínio é notável, especialmente considerando que, na semana de 3 a 9 de maio, o litro do diesel S10 foi comercializado a um preço médio de revenda de R$ 7,24, segundo o painel de preços da agência.

Apesar da sequência de quedas, o valor atual do combustível ainda se mantém 18,9% acima do patamar registrado no período pré-guerra no Irã, que teve início em 28 de fevereiro.

O monitoramento dos preços do diesel é acompanhado de perto por autoridades e pelo setor produtivo. Por ser o principal combustível da frota de caminhões, seu custo influencia diretamente o valor do frete e, consequentemente, o preço final dos alimentos transportados.

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Nas últimas cinco semanas analisadas, a ANP identificou uma semana sem variações no preço médio e quatro semanas consecutivas de redução. Abaixo, o preço médio do diesel S10 em cada fim de semana pesquisado:

  • 28/03: R$ 7,57
  • 04/04: R$ 7,58
  • 11/04: R$ 7,58
  • 18/04: R$ 7,51
  • 25/04: R$ 7,38
  • 02/05: R$ 7,28
  • 09/05: R$ 7,24

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Impacto do cenário pré-guerra

Apesar da recente trajetória de queda nos preços, o custo do litro do diesel ainda reflete as consequências da escalada de preços deflagrada pelos ataques americanos e israelenses ao Irã. Antes do primeiro ataque, em 28 de fevereiro, o combustível era vendido a um preço médio de R$ 6,09.

Após o início do conflito, foram necessárias cinco semanas para que o preço atingisse seu pico, chegando a R$ 7,58 na semana encerrada em 11 de abril.

A situação do diesel S500 segue um padrão similar ao do S10 nas últimas cinco semanas, com uma regressão de 5,37%, passando de R$ 7,45 para R$ 7,05 o litro. No entanto, em comparação com o período pré-guerra, o aumento ainda é de 17%.

A principal diferença entre o diesel S10 e o S500 reside no nível de emissão de poluentes. O S500 contém 500 partes por milhão (ppm) de enxofre, enquanto o S10 possui apenas 10 ppm, sendo 50 vezes menos poluente.

O diesel S10 é o mais consumido no país, representando cerca de 70% do consumo nacional, conforme dados da ANP. Veículos leves e pesados fabricados a partir de 2012 são projetados para operar com o S10.

Guerra e a dinâmica dos preços globais

A guerra no Irã provocou uma série de impactos, incluindo ataques a países vizinhos produtores de petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial no sul do Irã que conecta os golfos Pérsico e de Omã. Antes do conflito, aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás natural passava por essa região.

Com a turbulência na cadeia logística global, a oferta de óleo cru e seus derivados diminuiu, resultando em uma escalada dos preços. O barril de Brent, referência internacional, disparou de US$ 70 para mais de US$ 100, atingindo picos próximos de US$ 120.

O petróleo é uma commodity, negociada a preços internacionais, o que significa que o aumento de seu custo foi sentido globalmente, inclusive no Brasil, apesar de ser um país produtor. Especificamente para o diesel, o Brasil não é autossuficiente, necessitando importar cerca de 30% do volume consumido.

Medidas de subvenção governamental

A recente tendência de queda nos preços do diesel nas últimas cinco semanas coincide com o início da subvenção governamental aos produtores e importadores de diesel. Essa medida foi implementada como parte das ações para controlar a alta dos preços.

A partir de 1º de abril, o governo passou a oferecer um tipo de desembolso para esses agentes econômicos. O diesel produzido no Brasil pode receber um subsídio de até R$ 1,12 por litro, enquanto o importado pode chegar a R$ 1,52 por litro. Contudo, o benefício é concedido apenas se o desconto for repassado integralmente à cadeia de consumo.

Outra ação para conter o preço final na bomba foi a zeragem das alíquotas do PIS e da Cofins, os dois principais tributos federais que incidem sobre o óleo diesel.

Análise dos motivos por trás da queda

O pesquisador Iago Montalvão, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), explicou à Agência Brasil que a recente trajetória de queda nos preços do diesel é resultado de uma combinação de medidas governamentais e da atuação estratégica da Petrobras.

Montalvão avalia que, em um primeiro momento, após o choque de preços provocado pela guerra, as empresas tentaram reajustar seus balanços, elevando os preços para proteger suas margens de lucro diante do aumento dos custos do petróleo.

A própria Petrobras, por exemplo, reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 duas semanas após o início do conflito.

No entanto, a forte presença da Petrobras no mercado de derivados foi crucial para que a estatal não repassasse os aumentos de preços na mesma proporção do choque do petróleo. “Foi essencial para segurar o repasse dessa alta para os postos e forçar outras refinarias a não aumentarem tanto os preços também”, destacou o pesquisador do Ineep, que é um centro de pesquisas ligado à Federação Única dos Petroleiros (FUP).

De acordo com dados da ANP, a participação da estatal como fornecedora de diesel combustível entre 2023 e 2025 variou de 75,74% a 78,23%.

Além da atuação da Petrobras, Montalvão acrescenta que as desonerações de tributos e as subvenções também foram fatores determinantes para o recuo dos preços. “Medidas fiscais ajudaram a conter a alta na etapa final, de distribuição e revenda”, constatou.

Ele complementa que “essas medidas têm sido muito importantes para conter a inflação como um todo na economia”.

Iago Montalvão ressalta que o barril de Brent ainda se encontra em um patamar “bem elevado” e que não há uma expectativa de fim do conflito no curto prazo. Contudo, ele analisa que “os agentes já conseguiram se ajustar a essa nova realidade, por isso os aumentos desaceleraram, e até em alguns casos o preço reduziu”.

Na tarde da última segunda-feira (11), o barril de Brent estava sendo negociado na casa dos US$ 104.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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