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Segunda-feira, 27 de Julho 2026
ADPF das favelas transforma o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro
Justiça

ADPF das favelas transforma o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro

Especialistas apontam que a decisão do STF provocou uma mudança estrutural na segurança pública fluminense, direcionando os esforços para desarticular as redes econômicas e institucionais das facções.

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A ADPF das favelas, julgada recentemente no STF, provocou uma profunda transformação nas estratégias de combate ao crime no estado do Rio de Janeiro, segundo avaliam especialistas em segurança pública e direito penal.

Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, aponta que a medida instaurou uma transformação silenciosa. O foco das autoridades deixou de ser o varejo do narcotráfico nas comunidades para mirar diretamente na engrenagem financeira e logística das organizações criminosas.

“Pela primeira vez, as apurações conseguem atingir simultaneamente os três pilares do crime: o braço armado de facções e milícias, o setor econômico com lavagem de dinheiro e contrabando, e a rede institucional que protege esses esquemas”, destacou a especialista em suas redes sociais.

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A virada estratégica ganhou força após a conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal em abril de 2025. Na ocasião, a Corte determinou que a Polícia Federal instaurasse investigações permanentes e com dedicação exclusiva para desmantelar as redes criminosas no território fluminense.

“A União deve assegurar o reforço orçamentário necessário, enquanto órgãos como o Coaf e a Receita Federal precisam priorizar as diligências investigativas”, pontuou a decisão unânime da Suprema Corte.

Historicamente, a atuação policial no estado resumia-se a incursões pontuais em comunidades carentes. Para a fundadora do Fogo Cruzado, esse modelo funcionava como um eterno ciclo de enxugar gelo, sem impactos duradouros na estrutura das quadrilhas.

Com o novo panorama jurídico, autoridades de alto escalão, incluindo ex-prefeitos, parlamentares e magistrados, passaram a ser alvo de investigações complexas conduzidas por forças federais e estaduais em conjunto.

“Operações recentes revelaram conexões profundas entre lideranças do narcotráfico e agentes públicos corrompidos, evidenciando um esquema que facilitava desde o vazamento de dados até a importação ilegal de armamentos”, pontuou a pesquisadora.

Novos rumos para a segurança pública

O pesquisador Roberto Uchôa corrobora com a análise e destaca que o respaldo judicial fornecido pelo STF era indispensável para que órgãos federais pudessem atuar com a profundidade exigida contra as facções.

“O Rio de Janeiro sozinho não tem capacidade de enfrentar estruturas criminosas que infiltraram instituições públicas por meio da corrupção e do financiamento ilícito”, argumentou o especialista à Agência Brasil.

Dados do GENI e do Instituto Fogo Cruzado indicam que milhões de residentes vivem sob domínio de grupos armados na região metropolitana, evidenciando a urgência de políticas de segurança mais estruturadas e menos focadas apenas no confronto direto.

Foco no andar de cima

Para o advogado criminalista Cristiano Maronna, a ADPF 635 gerou uma inversão lógica nas operações policiais, priorizando a transparência, a redução da letalidade e a responsabilização de figuras poderosas.

“O alvo deixou de ser apenas a base nas comunidades para alcançar a cúpula que sustenta financeiramente e politicamente o crime organizado no estado”, avalia o doutor pela Universidade de São Paulo.

Histórico da Arguição

A ação foi protocolada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro, denunciando violações sistemáticas de direitos humanos decorrentes da política de segurança baseada em confrontos letais nas favelas.

Após medidas cautelares adotadas durante a pandemia e debates intensos, o julgamento definitivo consolidou diretrizes rígidas para o controle da atividade policial e o fortalecimento das investigações de inteligência.

“Essa revolução é fruto da resiliência de centenas de pessoas que perderam entes queridos para a violência urbana e lutaram por justiça ao longo dos anos”, concluiu Olliveira.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Paulo Pinto/Agência Brasil

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