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Terça-feira, 23 de Junho 2026
Banco Central justifica corte da Selic com
Economia

Banco Central justifica corte da Selic com "melhores práticas" frente a inflação e choques de oferta

Ata do Copom, divulgada nesta terça, destaca a cautela em não reagir a pressões inflacionárias inesperadas.

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O Banco Central (BC), por meio de seu Comitê de Política Monetária (Copom), decidiu manter o ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, conforme ata da última reunião divulgada nesta terça-feira (23). A autarquia justificou o corte, mesmo diante de um cenário de inflação pressionada, com base nas "melhores práticas" de política monetária, que desaconselham uma reação integral a variações de preços decorrentes de choques de oferta inesperados.

Na reunião da semana passada, o colegiado efetuou o terceiro corte consecutivo na Selic desde março, reduzindo-a em 0,25 ponto percentual. Com isso, a taxa passou de 14,5% para 14,25% ao ano.

Este patamar representa uma mudança significativa, considerando que, de junho de 2025 a março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o nível mais elevado em quase duas décadas.

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O documento detalha que essas flutuações de preços carregam incertezas consideráveis. Entre os fatores de pressão, destacam-se o conflito armado no Oriente Médio, que impacta os preços globais de petróleo e combustíveis, e os efeitos climáticos projetados pelo fenômeno El Niño.

A ata enfatiza a postura do comitê diante do cenário atual: "No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária".

O objetivo é permitir que os futuros ajustes na taxa básica de juros absorvam novas informações, proporcionando maior clareza sobre a extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos diretos e indiretos nos níveis de preços ao longo do tempo.

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Inflação oficial

Em maio, a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou 0,58%, impulsionada principalmente pela alta nos preços dos alimentos.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA acumulado nos últimos 12 meses atingiu 4,72%. Esse valor já se encontra acima da meta de inflação estabelecida, que varia entre 1,5% e 4,5%.

A autoridade monetária reconheceu na ata que o cenário inflacionário de curto prazo apresenta desafios, sendo constantemente pressionado por leituras elevadas do IPCA corrente.

Contudo, o BC destacou que uma trajetória da Selic menos divergente das expectativas dos analistas de mercado é preferível. Essa abordagem visa prevenir a indução de volatilidade excessiva tanto nos preços dos ativos financeiros quanto nos agregados macroeconômicos.

As projeções do mercado financeiro indicam que o IPCA deve fechar o ano em 5,33%, com uma estimativa de 4,15% para 2027.

Durante a reunião, o Copom avaliou simulações que exploravam diferentes cenários para pausas e retomadas no ciclo de juros.

Essas projeções alternativas apontaram para uma menor flutuação do produto e se mostraram alinhadas com uma suavização macroeconômica. O objetivo é assegurar a convergência da inflação para o centro da meta no primeiro trimestre de 2028, que agora constitui o horizonte relevante oficial do BC.

Apesar da flexibilização gradual da política monetária, a ata reitera uma postura de firme cautela por parte do Banco Central.

A resiliência da atividade econômica doméstica, que segue surpreendendo positivamente e dificulta a desaceleração da inflação de serviços, levou os diretores a indicar que os próximos passos da taxa de juros serão definidos com base na evolução dos novos dados econômicos.

O Comitê reforça, por fim, que "no contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços", a magnitude do ciclo de calibração será adaptada conforme a evolução do cenário, visando garantir a convergência da inflação à meta.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Marcello Casal JrAgência Brasil

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