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Sexta-feira, 12 de Junho 2026
Davi Alcolumbre segura avanço da PEC do fim da escala 6x1 no Senado
Política

Davi Alcolumbre segura avanço da PEC do fim da escala 6x1 no Senado

Presidente da Casa legislativa evita despachar proposta para a CCJ e cancela reuniões com líderes

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), interrompeu o progresso da PEC do fim da escala 6x1 ao manter o texto retido na Mesa Diretora nesta semana, postergando o envio da matéria para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A decisão de travar a tramitação ocorre em um momento de pressão social, sob a justificativa de necessidade de maior debate sobre os impactos econômicos da redução da jornada de trabalho no país.

De acordo com o senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a CCJ, ainda não há uma previsão oficial para o recebimento do texto. Uma audiência entre ele e Alcolumbre, que estava agendada para os últimos dias, acabou sendo cancelada pelo comando da Casa sem maiores explicações. A assessoria da presidência não emitiu comentários sobre o adiamento.

Além do impasse na comissão, a tradicional reunião de líderes, onde se definem as prioridades de votação, não foi convocada. Embora Alcolumbre tivesse sinalizado anteriormente, em plenário, que levaria a pauta ao colegiado para discussão, o tema permanece estagnado nos bastidores do Poder Legislativo.

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A proposta em questão, a PEC 221 de 2019, sugere uma mudança estrutural na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, acompanhada da obrigatoriedade de dois dias de descanso remunerado para cada cinco trabalhados.

Cálculo político e resistência econômica

Para a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a retenção da proposta sinaliza uma cautela estratégica diante da resistência do setor empresarial. A especialista aponta que, em ano eleitoral, os parlamentares tentam evitar o desgaste de assumir posições definitivas sobre temas de alta repercussão social.

Embora existam divergências técnicas em pesquisas sobre como a medida afetaria o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação e a geração de empregos, o adiamento não implica necessariamente em um veto definitivo. Segundo Santana, Alcolumbre utiliza suas prerrogativas de presidente para controlar o ritmo da agenda enquanto negocia apoios.

Avanço de proposta alternativa da oposição

Diferente do tratamento dado à proposta de redução de jornada, Alcolumbre encaminhou à CCJ uma PEC alternativa protocolada pela oposição. Esse texto mantém o regime atual de trabalho no Brasil, mas introduz a possibilidade de contratação por hora trabalhada, o que gera críticas de setores governistas.

Senadores da base aliada, como Teresa Leitão (PT-PE) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), defendem que o Senado deveria priorizar a dignidade laboral. Eles pressionam para que a votação ocorra ainda no primeiro semestre, antes do início do recesso parlamentar em julho, alertando para a urgência de modernizar as relações de trabalho.

No campo oposto, o senador Hermes Klann (PL-SC) argumenta que a redução da escala sem compensação de custos sobrecarregará a população. Contudo, a pauta não é consensual na oposição, visto que o senador Romário (PL-RJ) manifestou apoio público à garantia de novos direitos aos trabalhadores brasileiros.

Impacto orçamentário e seletividade de pautas

Ao ser questionado sobre outras demandas trabalhistas, como o piso salarial dos garis, Alcolumbre afirmou que não pode ser seletivo entre os dezenas de projetos similares. Ele alegou que aprovar aumentos de gastos em período eleitoral exigiria recursos que o Estado brasileiro não possui no momento.

O senador argumentou que a aprovação de medidas com impacto financeiro imediato poderia gerar um desequilíbrio fiscal insustentável. Segundo ele, as decisões precisam ser tomadas com cautela para não comprometer o orçamento da União em um cenário de restrições econômicas.

Aprovação de recursos para o agronegócio

Apesar da preocupação fiscal demonstrada com a jornada de trabalho, o Senado aprovou um projeto que utiliza o Fundo Social do Pré-sal para financiar dívidas do agronegócio. A medida, estimada em R$ 140 bilhões ao longo de uma década, avançou após um acordo direto entre Alcolumbre e as bancadas setoriais.

O Ministério da Fazenda, representado pelo ministro interino Dario Durigan, criticou a rapidez da votação e o impacto nos cofres públicos. O governo federal estuda recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou buscar modificações na Câmara para evitar o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Lula Marques/Agência Brasil.

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