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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
Ministério Público de São Paulo processa empresas por coleta irregular de dados biométricos de íris
Justiça

Ministério Público de São Paulo processa empresas por coleta irregular de dados biométricos de íris

A ação civil pública acusa as companhias de publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e vício no consentimento.

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou uma ação civil pública nesta segunda-feira (21) contra a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. O objetivo é responsabilizar as empresas por irregularidades na coleta de dados biométricos de íris de consumidores na capital paulista, prática que configura publicidade enganosa e exploração da vulnerabilidade.

Em caráter liminar, a promotoria solicita a preservação integral de todos os dados, registros e metadados vinculados ao processamento dessas informações. Além disso, requer a apresentação de contratos e relatórios técnicos detalhados sobre o armazenamento desses dados.

A promotora de Justiça Patrícia Leitão, responsável pela ação, também exige a identificação da empresa do grupo Amazon encarregada da hospedagem dos dados. Ela pede a suspensão imediata de novas coletas de íris que ofereçam qualquer tipo de pagamento ou benefício, aguardando a realização de uma perícia judicial.

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Segundo a promotora, essa conduta caracteriza claramente publicidade enganosa, uma exploração da vulnerabilidade dos consumidores e um vício fundamental no consentimento.

A coleta desses dados biométricos era predominantemente direcionada a indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. As empresas ofereciam compensação financeira, concentrando suas operações em regiões periféricas e áreas de grande circulação, como estações de metrô e unidades do Poupatempo.

Exigências da ação civil pública

A ação judicial pleiteia que as práticas sejam formalmente declaradas abusivas e que as empresas rés sejam proibidas de forma definitiva de coletar dados biométricos de íris mediante qualquer contrapartida financeira. O MPSP também exige a eliminação irreversível dos dados já coletados, além de uma indenização coletiva de, no mínimo, R$ 240 milhões por danos morais e a reparação dos prejuízos individuais sofridos pelos consumidores.

O MPSP ressalta que a empresa manteve a prática de coleta por meio da concessão de benefícios internos no aplicativo World App. Isso ocorreu mesmo após a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ter determinado a suspensão da oferta de criptomoedas ou qualquer outra compensação financeira pela coleta da íris.

Falta de transparência e riscos

A Promotoria argumenta que os consumidores não foram devidamente informados sobre a real finalidade econômica do projeto, os riscos inerentes ao tratamento de seus dados biométricos, a transferência dessas informações para o exterior e a possibilidade de armazenamento em servidores da Amazon Web Services.

A origem dessa ação judicial reside no relatório final da CPI da Íris, instituída pela Câmara Municipal de São Paulo, que investigou a atuação do Projeto World ID na capital paulista.

Segundo as apurações da CPI, mais de 400 mil pessoas tiveram suas íris escaneadas em troca de recompensas financeiras que variavam entre R$ 300 e R$ 700.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Paulo Pinto/Agência Brasil

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