Nesta quarta-feira (22), entrou em vigor a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos, então liderado por Donald Trump, sobre uma parcela significativa das exportações brasileiras. A medida, que abrange aproximadamente 20% do volume total de produtos que o Brasil envia para os Estados Unidos, baseia-se em alegações de “práticas desleais” e gera um impacto econômico considerável.
Estimativas da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) apontam que o valor total das exportações afetadas por essa tarifa pode variar entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões.
Dentre os 2,3 mil produtos atingidos, destacam-se itens dos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. É relevante notar que, apesar da abrangência, cerca de 700 produtos foram isentos da taxação, um número superior aos 615 inicialmente previstos durante as negociações.
O mercado estadunidense representa um destino crucial para as exportações brasileiras, sendo o principal comprador de eletroeletrônicos e responsável por aproximadamente um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.
Os estados de São Paulo (SP) e Santa Catarina (SC) concentram a maior parte do impacto do tarifaço. São Paulo, a economia mais robusta do país, responde por 41,6% do valor total das exportações afetadas. Contudo, Santa Catarina enfrenta uma situação proporcionalmente mais crítica, com 68% de suas exportações para os EUA impactadas pela decisão da Casa Branca, conforme dados da Apex-Brasil.
Justificativas e contestações
A imposição da tarifa pelo governo Trump fundamenta-se em um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que acusa o Brasil de práticas comerciais consideradas “desleais” em relação aos norte-americanos.
Os Estados Unidos elencaram seis pontos principais para justificar a taxação:
- pagamentos eletrônicos (Pix) e regulação de redes sociais;
- desmatamento ilegal;
- acesso ao mercado de etanol;
- combate à corrupção;
- proteção da propriedade intelectual;
- acordos preferenciais com México e Índia.
O governo brasileiro, por sua vez, refuta veementemente as justificativas apresentadas, argumentando que elas possuem motivação política e não correspondem à realidade comercial. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, os negociadores dos EUA exigiam a abertura total dos mercados sem oferecer contrapartidas.
Estratégias de diversificação
Em resposta à imposição da tarifa, o governo brasileiro anunciou a retomada de um programa de apoio aos setores prejudicados. A iniciativa prevê linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de suporte para o escoamento de produtos para outros clientes e países. Há também a avaliação de flexibilizar temporariamente as regras do regime de isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas à exportação.
Adicionalmente, a Apex-Brasil planeja lançar, em agosto, um plano de R$ 130 milhões focado na diversificação das exportações do Brasil. O objetivo é expandir a atuação para mercados como a União Europeia, países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), incluindo Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, e nações da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.
Análises aprofundadas
A Agência Brasil, em um esforço para contextualizar e contrapor os argumentos dos EUA, publicou reportagens especiais abordando os temas do tarifaço:
Modelo do Pix desafia controle financeiro dos EUA sobre o Brasil
Tarifaço: EUA distorcem tema das big techs, afirmam especialistas
Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira
Governo Trump usa desmatamento para impor taxas ao Brasil