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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
Reforma Administrativa para modernizar o Estado Brasileiro entra na pauta
Brasil

Reforma Administrativa para modernizar o Estado Brasileiro entra na pauta

Mudanças são fundamentais para serviço público mais eficiente, defende José Maurício Caldeira

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Nos últimos anos, o Brasil realizou várias reformas estruturais, como a Trabalhista, a Previdenciária e, mais recentemente, a Tributária sobre o consumo. Com esta última já encaminhada e a transição para o novo modelo desenhada, os parlamentares agora se voltam para a Reforma Administrativa.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PA), pretende criar um Grupo de Trabalho para colocar o tema em pauta. O vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ) anunciou esta disposição de Motta durante evento organizado por associações empresariais ligadas ao comércio. “Acredito que temos sim um momento importante para avançar com a reforma administrativa”, disse Altineu.

“É fundamental discutir a modernização do poder público, por isso, este grupo de trabalho é muito bem-vindo”, diz o empresário José Maurício Caldeira, sócio-conselheiro da Colpar Brasil, grupo que atua em diversos segmentos industriais e do agronegócio. “O Brasil precisa discutir o tamanho do Estado, debater como ter um serviço público eficiente, como valorizar os bons servidores, entre outros pontos”, reforça Caldeira.

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“A Reforma Tributária levou mais de 30 anos para ser aprovada”, lembra José Maurício Caldeira. “Não temos este tempo todo para tratar da reforma do Estado, pois as mudanças tecnológicas, sociais e demográficas estão acontecendo muito rapidamente”. Na opinião de Caldeira, o Brasil deve aproveitar esta onda reformista iniciada há quase uma década e tirar mais esta reforma estruturante do papel. "Um dos maiores entraves para fazer esta pauta avançar é a resistência dos funcionários públicos que temem perder direitos, como a estabilidade, e a precarização dos serviços públicos por meio de terceirizações", complementa.

Desde o ano passado, ainda na presidência do deputado Arthur Lira (PP-AL), o deputado Zé Trovão (PL-SC) tem sido um dos mais vocais defensores da criação do grupo de trabalho da Reforma Administrativa, ideia agora abraçada pelo presidente Hugo Motta, que tem sob sua responsabilidade a pauta da Câmara.

O ponto de partida deve ser a PEC 32/2020, apresentada ainda durante o governo Bolsonaro. Esta PEC seria o primeiro passo para a redução de gastos com a folha de pagamento, a modernização da prestação de serviços públicos e a diminuição da quantidade de carreiras do serviço público federal.

Esta agenda de modernização do Estado tem a simpatia de várias entidades empresariais como a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Essas três últimas entidades lançaram um manifesto defendendo que a Reforma Administrativa seja realizada logo e se uniram em torno de diretrizes que, esperam, norteiem as discussões.

Uma das medidas mais importantes defendidas pelos setores produtivos é a implementação da avaliação de desempenho dos servidores, com a criação de um sistema transparente e eficiente para avaliar líderes e equipes.

Outra diretriz é o aprimoramento dos concursos públicos para que as competências práticas dos candidatos sejam melhor analisadas. Neste contexto, as carreiras também seriam redesenhadas, com o objetivo de torná-las mais simples e sustentáveis a longo prazo.

Um dos maiores entraves para fazer esta pauta avançar é a resistência dos funcionários públicos que temem perder direitos, como a estabilidade, e a precarização dos serviços públicos por meio de terceirizações.

As entidades empresariais dizem que o objetivo não é modificar a questão da estabilidade. “Uma avaliação de desempenho bem implementada premiará os bons servidores”, observa José Maurício Caldeira. E também facilitará a demissão dos profissionais com baixa performance, algo que já é permitido pela legislação.

A questão dos supersalários, que estão concentrados basicamente no Judiciário, também está na mira na Reforma Administrativa. A remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje é de R$ 46.366,19, deveria ser o teto, mas inúmeros mecanismos permitem o pagamento de penduricalhos a juízes.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que, em 2024, o judiciário pagou quase R$ 7 bilhões em remunerações acima do teto constitucional. O próprio ministro do STF, Gilmar Mendes, em evento sobre a Reforma Administrativa, definiu esses supersalários da Justiça como “um quadro de verdadeira desordem”.

Para José Maurício Caldeira, além da PEC 32/2020, deve-se aproveitar outras propostas sobre o tema em tramitação no Congresso, pois esta é uma forma de acelerar esta agenda. “O debate é importantíssimo, a sociedade precisa chegar a consensos e isso leva tempo”, avalia Caldeira. “Por isso, é preciso começar as discussões em torno desta pauta logo”.

 



Website: https://ecco.inf.br/
FONTE/CRÉDITOS: DINO

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