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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Lula anuncia busca por novos parceiros comerciais diante de taxação dos Estados Unidos
Política

Lula anuncia busca por novos parceiros comerciais diante de taxação dos Estados Unidos

Presidente Lula reitera postura de soberania e respeito mútuo nas relações internacionais, rejeitando submissão a grandes potências.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (3), no Palácio do Planalto, que o Brasil intensificará a busca por novos parceiros comerciais no cenário global. A decisão, comunicada durante uma reunião ministerial, visa mitigar os impactos das recentes taxações impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, reafirmando a estratégia de diversificação econômica sob a liderança de Lula.

Em um pronunciamento firme aos ministros de Estado, o presidente destacou a soberania nacional. “Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, afirmou.

Lula complementou sua fala, reiterando a rejeição à "política do vira-lata" nas relações internacionais. “Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, pontuou o chefe de Estado.

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A escalada das tensões comerciais teve início na última segunda-feira (1º), quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma taxação de 25% sobre uma parcela das importações brasileiras. Esta medida é uma das ações sugeridas em um relatório que culminou de uma investigação.

A referida investigação foi iniciada há cerca de um ano, ainda sob a administração de Donald Trump, visando apurar supostas "práticas desleais" do Brasil no intercâmbio comercial com os EUA.

Entre as justificativas apresentadas para a imposição dessas tarifas, a USTR alega que o sistema Pix estaria prejudicando "injustamente" empresas estadunidenses que atuam no setor de pagamentos eletrônicos. A acusação atinge diretamente operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, além do Whatsapp Pay.

Diante desse cenário, o presidente Lula confirmou sua participação na reunião do G7, agendada para junho na França, uma agenda que inicialmente não estava prevista. O Brasil comparecerá ao evento como convidado do anfitrião, o presidente francês Emmanuel Macron.

O G7 congrega os líderes das maiores economias mundiais: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Lula expressou a motivação por trás de sua decisão de ir ao G7: “Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições.”

Ele reiterou a importância de fortalecer as Nações Unidas e reformar seu Conselho de Segurança. “Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, enfatizou o presidente.

Contexto da negociação comercial

Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a imposição dessas tarifas pelos Estados Unidos representa uma ameaça direta a 21% do volume total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro, em conjunto com as empresas potencialmente afetadas, terá até o dia 15 de julho para apresentar manifestações sobre o relatório final da USTR. Após essa data, os Estados Unidos poderão implementar as “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para o presidente Lula, a postura estadunidense demonstra-se insensata, especialmente considerando que existia uma negociação em andamento entre as duas nações. Ele recordou que, em maio, havia estabelecido com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para a formalização de um acordo sobre a disputa comercial.

Os dois líderes se encontraram na Casa Branca, e na ocasião, o presidente brasileiro apresentou documentos que atestavam a relação comercial favorável aos EUA com o Brasil. Segundo o presidente, o superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil, nos últimos 15 anos, totalizou expressivos US$ 415 bilhões, o que, em sua visão, reforçava a falta de sentido nas acusações de práticas desleais.

Lula expressou sua surpresa com a decisão: “Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, declarou o presidente.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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