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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
Ministro da Fazenda relata reunião entre Lula e Trump marcada por respeito mútuo
Política

Ministro da Fazenda relata reunião entre Lula e Trump marcada por respeito mútuo

Dario Durigan detalhou o encontro de três horas entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, destacando os temas de cooperação comercial, combate ao crime e minerais estratégicos.

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descreveu o recente encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, como uma conversa pautada por grande respeito mútuo e deferência. A reunião, que durou cerca de três horas, abordou temas cruciais como a relação comercial bilateral, o enfrentamento ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos, com o objetivo de fortalecer os laços entre Brasil e Estados Unidos.

Em entrevista concedida ao programa Na Mesa com Datena, da TV Brasil, transmitida nesta terça-feira (12), Durigan, que esteve presente no encontro, compartilhou que a conversa inicial adotou um tom informal, focando nas trajetórias pessoais de ambos os líderes.

Durigan relatou que Trump demonstrou surpresa ao ouvir sobre a infância de Lula, especialmente o fato de o presidente brasileiro ter experimentado pão pela primeira vez aos sete anos. O republicano também teria se impressionado com a trajetória de Lula, que, apesar de não possuir diploma universitário, expandiu significativamente a rede federal de universidades durante seus mandatos.

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Um dos pontos de maior impacto na conversa foi o período em que Lula esteve preso. Segundo o ministro, Trump reagiu com espanto ao saber que o presidente brasileiro recusou opções jurídicas como a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, optando por lutar integralmente por sua inocência.

O ministro destacou que tanto Lula quanto Trump se mostraram emocionados ao recordar os aproximadamente dois anos em que o presidente brasileiro esteve detido. "A conversa foi muito franca e eu fiquei muito impressionado com o nível de deferência do presidente Trump ao presidente Lula", afirmou Durigan.

Durigan expressou a percepção de que a admiração de Trump por Lula se intensificou após o encontro. A reunião também incluiu momentos de descontração, com trocas sobre temas pessoais e familiares, visando criar uma base de proximidade antes das negociações formais de Estado.

Debate comercial e tarifas

A pauta econômica constituiu um dos pilares da reunião. O governo brasileiro refutou a alegação de que os Estados Unidos sofrem prejuízos comerciais na relação com o Brasil. Durigan citou dados da administração Trump que indicavam um déficit comercial brasileiro de US$ 30 bilhões com os EUA em 2025.

O ministro, contudo, argumentou que o Brasil adquire um volume expressivo de serviços, tecnologia e produtos americanos, o que beneficia a economia dos Estados Unidos. "O Brasil não merece ser punido [com tarifas], o nosso dólar está indo para os Estados Unidos", declarou.

O Brasil defendeu que não deveria ser alvo de medidas tarifárias semelhantes às impostas à China, uma vez que a relação comercial bilateral é favorável aos norte-americanos.

Combate ao crime organizado transnacional

A segurança pública e o combate ao crime organizado transnacional foram outro eixo central da discussão. Lula propôs o aprimoramento da cooperação entre os dois países para rastrear recursos financeiros de facções criminosas, incluindo operações de lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e estruturas empresariais nos EUA, como as localizadas em Delaware.

"Empresas brasileiras devedoras estão botando dinheiro em Delaware, que é um paraíso fiscal", observou Durigan. O governo brasileiro também apresentou informações indicando que a maioria das armas ilegais apreendidas no Brasil tem origem em território norte-americano.

"A arma que é apreendida no Brasil tem como origem, na maioria dos casos, os Estados Unidos", confirmou o ministro.

Drogas sintéticas e cooperação financeira

O avanço das drogas sintéticas também foi abordado durante a reunião bilateral. "Droga sintética vem dos Estados Unidos para o Brasil; nós queremos ajudar a evitar esse contrabando", pontuou Durigan.

Como resultado prático do encontro, foi acordada a integração entre a Receita Federal brasileira e a aduana americana para o compartilhamento de inteligência e rastreamento financeiro. "O que funciona é você asfixiar a engrenagem que financia o crime", defendeu Durigan, enfatizando um modelo baseado em inteligência financeira e cooperação internacional.

Minerais críticos e soberania

A exploração de minerais estratégicos foi outro ponto central das discussões. O Brasil apresentou aos EUA sua estratégia para minerais essenciais à indústria tecnológica e à transição energética, como nióbio, grafeno e terras raras. "No Brasil, a gente quer dar segurança jurídica para um negócio que interessa ao mundo: minerais críticos", afirmou Durigan.

Integrantes do governo indicaram que Lula deixou claro o desejo do Brasil de não repetir um modelo histórico focado apenas na exportação de matéria-prima. "O primeiro pilar é soberania e o segundo é incentivar a industrialização local", explicou o ministro.

Durigan mencionou que Lula comparou a defesa da soberania econômica brasileira com o discurso nacionalista frequentemente empregado por Trump. "Se você é ‘América em primeiro lugar’, eu estou aqui dizendo que o Brasil está em primeiro lugar", relatou o ministro.

Lula também ressaltou a intenção do país de evitar ciclos históricos de exploração econômica sem desenvolvimento interno. "Não queremos repetir um padrão histórico, tira tudo daqui e depois eu compro a placa de aço industrializada. Eu quero incentivar a industrialização no Brasil", acrescentou o presidente, comparando a situação com a exploração histórica de ouro e cana-de-açúcar.

Guerra global e riscos econômicos

A guerra no Oriente Médio e os riscos econômicos globais também foram temas da conversa entre os presidentes. Durigan relatou a preocupação de Lula com os impactos geopolíticos e econômicos dos conflitos internacionais sobre o Brasil. "O tema de como a gente se prepara e protege o Brasil da guerra é o tema que mais me importa", afirmou o ministro, transmitindo a posição presidencial.

Ambiente cordial e futuras negociações

Apesar das discussões estratégicas, membros da comitiva brasileira relataram momentos de descontração durante o encontro. Durigan contou que, durante o almoço oficial, Trump chegou a fazer uma reclamação aos garçons sobre a presença de frutas em sua salada. "Ele disse: ‘Eu não gosto de fruta na minha salada’, e teve que reposicionar os pratos", narrou o ministro.

O governo brasileiro avaliou que o ambiente cordial contribuiu para abrir espaço para futuras negociações comerciais, diplomáticas e estratégicas entre os dois países.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Valter Campanato/Agência Brasil

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