A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) uma significativa redução de 14,5% no preço de venda do querosene de aviação (QAV). O reajuste, que entra em vigor no início de julho, marca o segundo recuo consecutivo e é atribuído à atenuação dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os valores internacionais dos derivados de petróleo.
Essa alteração representa uma diminuição de R$ 0,81 por litro do combustível. Consequentemente, nas refinarias da companhia, o novo preço do QAV passará a variar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro.
A justificativa da estatal para essa movimentação de baixa está na “atenuação” dos efeitos que o conflito geopolítico no Oriente Médio vinha impondo aos preços globais dos derivados de petróleo, permitindo uma margem para o ajuste.
Apesar da recente queda, é importante notar que, no acumulado do ano, o combustível utilizado por aeronaves e helicópteros ainda registra um aumento de 40,5% em comparação com o final de 2023. Isso se traduz em um acréscimo de R$ 1,39 por litro ao longo do período.
A eclosão do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, provocou severas perturbações na cadeia logística da indústria petrolífera global, resultando em uma disparada dos preços.
O principal fator para essa alta foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, localizado ao sul do Irã. Antes do conflito, cerca de 20% da produção internacional de óleo e gás transitava por essa região vital. A redução na oferta de petróleo nos mercados mundiais impulsionou a elevação dos preços.
Embora o Brasil seja um país produtor de petróleo, tanto o óleo bruto quanto seus derivados são considerados commodities. Dessa forma, seus preços são determinados pelas dinâmicas do mercado internacional, e não apenas pela produção interna.
Histórico recente dos preços
Nos meses anteriores, o mercado de QAV passou por flutuações significativas. Em abril, a Petrobras havia reajustado o preço em 55%, seguido por uma alta de 18% em maio.
Naquela ocasião, para mitigar o impacto nos caixas das companhias aéreas, a estatal ofereceu a possibilidade de parcelamento do reajuste às distribuidoras. Em junho, já havia ocorrido uma redução de 14,2% no QAV.
A diminuição dos efeitos do conflito também impulsionou o governo federal a iniciar a retirada gradual dos subsídios concedidos às empresas produtoras e importadoras de combustíveis. Essa medida visava evitar um choque de preços para o consumidor final.
Dinâmica da comercialização do QAV
A Petrobras é responsável pela comercialização do QAV, seja ele produzido em suas próprias refinarias ou importado, diretamente para as distribuidoras. Após a aquisição, essas empresas se encarregam do transporte e da venda do combustível para companhias de transporte aéreo e outros consumidores finais nos aeroportos, ou ainda para revendedores.
Embora a estatal detenha uma participação de aproximadamente 85% na produção de QAV, o mercado é caracterizado pela livre concorrência. Não há restrições para que outras empresas atuem tanto na produção quanto na importação do querosene de aviação.