As vendas no comércio brasileiro registraram alta de 0,5% na transição de maio para junho, encerrando o primeiro semestre com expansão acumulada de 1,9%, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. O resultado foi impulsionado principalmente pela desaceleração dos preços e pela expansão da população ocupada no país.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o volume de vendas apresentou avanço de 2,9%. Já no acumulado de 12 meses, a variação do indicador permaneceu positiva em 1,6%, embora o segundo trimestre tenha anotado um ligeiro recuo de 0,4% frente aos três primeiros meses do ano.
Mesmo com a retração pontual no trimestre, o setor varejista posiciona-se apenas 0,8% abaixo do pico histórico alcançado em março. De acordo com o analista do IBGE, Cristiano Santos, o comércio vive o seu segundo maior nível desde o início da série histórica em 2000, o que limita altas expressivas por razões estatísticas.
Ao longo do ano, a trajetória mensal do varejo manteve-se predominantemente positiva, registrando altas em janeiro (0,5%), fevereiro (0,8%), março (0,8%), maio (0,3%) e junho (0,5%), com apenas uma retração apurada em abril (-1,5%).
Inflação e mercado de trabalho sustentam a alta
A perda de força da inflação — que caiu de 0,58% em maio para 0,16% em junho — aliada ao crescimento de 1,1% no número de pessoas ocupadas foram os grandes motores para a expansão do consumo no período.
O desempenho, no entanto, dividiu as oito atividades acompanhadas pela pesquisa. Quatro áreas registraram avanço nas vendas:
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 2,4%
- Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 1,1%
- Móveis e eletrodomésticos: 0,4%
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e perfumaria: 0,2%
- Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação: -1,3%
- Combustíveis e lubrificantes: -1,7%
- Tecidos, vestuário e calçados: -2,6%
- Livros, jornais, revista e papelaria: -9,9%
Desempenho no comércio ampliado
No segmento do comércio ampliado — que adiciona atacado, veículos, peças e materiais de construção —, o volume de vendas encolheu 1% em junho. A despeito do recuo mensal, o setor ampliado acumula alta de 1,9% no semestre e de 0,8% em 12 meses, ficando 2,1% abaixo do seu topo histórico de fevereiro.
Panorama econômico geral
A divulgação do varejo encerra a trilogia de indicadores conjunturais do IBGE. Recentemente, o instituto revelou que a indústria recuou 1,8% em junho (com alta de 1,5% no semestre), enquanto o setor de serviços ficou estável no mês (0%), fechando os primeiros seis meses com crescimento de 2%.