A Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde (BA), anunciou uma redução de 11,3% no preço da gasolina repassada às distribuidoras. A adequação no valor cobrado pela planta responsável por 42% do abastecimento do Nordeste decorre da aplicação de subvenções federais voltadas a amortecer o impacto de crises internacionais.
A unidade atua na comercialização do combustível puro, denominado gasolina A. O produto é entregue às distribuidoras de combustíveis, que realizam a adição obrigatória de etanol anidro para transformá-lo na gasolina C comercializada nos postos.
O novo valor incorpora os abatimentos previstos na Medida Provisória (MP) 1.358, editada pelo governo federal. O texto estabelece uma ajuda de custo de R$ 0,44 por litro às refinarias para compensar a forte alta decorrente dos conflitos envolvendo o Irã.
Com o desconto governamental, a gasolina vendida por Mataripe caiu de R$ 3,93 para R$ 3,49 por litro. Apesar da redução, a tarifa permanece superior à praticada pela Petrobras, fixada atualmente em R$ 2,61 o litro.
Vale ressaltar que os valores de refinaria não representam o custo final nas bombas. O preço cobrado ao consumidor engloba tributos, frete, margem de lucro de distribuidoras e postos, além da parcela referente ao etanol incorporado.
Estrutura e histórico da antiga Landulpho Alves
Com capacidade diária para processar cerca de 302 mil barris de petróleo, Mataripe representa 14% do refino do Brasil e abastece 80% do Estado da Bahia.
A estrutura pertence à Acelen, empresa administrada pelo fundo de investimentos Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos. O grupo comprou o ativo da Petrobras em 2021, época em que a unidade atendia pelo nome de Refinaria Landulpho Alves.
A planta baiana é a única entre as dez maiores do país que não pertence à Petrobras, embora a estatal já tenha sinalizado interesse em recomprar o ativo. A maior refinaria nacional continua sendo a Replan, situada em Paulínia (SP) e gerida pela Petrobras.