Segundo a Pesquisa Industrial Anual do IBGE, a fabricação de produtos alimentícios consolidou-se como a principal fonte de emprego industrial no Brasil em 2024, somando 2,1 milhões de postos de trabalho. O setor foi o grande destaque dentro de um universo de 8,7 milhões de profissionais ocupados, com as indústrias de transformação concentrando quase a totalidade dessa força laboral.
Além do segmento alimentício, outras atividades demonstraram relevância na absorção de mão de obra. A confecção de artigos de vestuário e acessórios empregou 551,8 mil pessoas, seguida pela produção de itens de metal (517,1 mil) e pela indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias (491,9 mil).
O ecossistema industrial brasileiro encerrou o período com 358,4 mil empresas ativas. Em termos de massa salarial, o montante distribuído aos trabalhadores, incluindo retiradas e remunerações diversas, atingiu a marca de R$ 481,1 bilhões.
No campo financeiro, a receita bruta das companhias chegou a R$ 8,8 trilhões. Desse total, R$ 7,4 trilhões vieram diretamente da comercialização de produtos e serviços industriais, enquanto o restante foi composto por revendas e outras receitas acessórias.
O Valor de Transformação Industrial (VTI), que subtrai os custos operacionais do valor bruto da produção, somou R$ 2,6 trilhões. Segundo Marcelo Miranda, gerente do IBGE, o VTI é o indicador que melhor traduz a riqueza efetivamente produzida pela atividade fabril.
Desempenho por faturamento e produtividade
As indústrias de transformação foram responsáveis por 92,9% da receita líquida de vendas nacional. Novamente, a fabricação de alimentos liderou com 23,0% de participação, seguida por derivados de petróleo (10,1%) e produtos químicos (9,2%).
No quesito produtividade, a extração de petróleo e gás natural assumiu a vanguarda, gerando R$ 13,3 milhões por trabalhador. Já no âmbito salarial, o setor extrativista pagou, em média, 5,4 salários mínimos, com destaque para o segmento de petróleo, que chegou a 17,5 mínimos.
A pesquisa também evidenciou a concentração de mercado: empresas com mais de 500 funcionários detêm 67,9% da receita líquida total. Isso demonstra que, embora existam muitas micro e pequenas empresas, o poder financeiro está concentrado em grandes corporações.
Panorama regional e concentração industrial
Geograficamente, a fabricação de alimentos é a principal atividade em 18 das 27 unidades da federação. A Região Sudeste mantém sua hegemonia, concentrando 60,3% do VTI nacional, seguida pelo Sul (19,1%) e Nordeste (8,4%).
São Paulo permanece como o coração industrial do país, detendo 34,5% do valor de transformação. O estado possui uma base diversificada que abrange desde fármacos e veículos até borracha e plásticos, além de uma robusta infraestrutura logística.
No Norte, o Amazonas se destaca pelo Polo Industrial de Manaus, sendo o único estado onde a fabricação de eletrônicos e produtos de informática é a atividade preponderante. No Centro-Oeste, o avanço da agroindústria e dos biocombustíveis dita o ritmo econômico.
Sobre o intervalo de tempo para a divulgação dos dados, o IBGE esclarece que o processo exige o fechamento do ano fiscal das empresas e uma rigorosa análise técnica. Esse ciclo de coleta e crítica de dados resulta em um intervalo de aproximadamente 18 meses entre o ano de referência e a publicação.