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Quinta-feira, 14 de Maio 2026
Governo federal anuncia subsídio para conter alta do preço dos combustíveis
Economia

Governo federal anuncia subsídio para conter alta do preço dos combustíveis

Medida prevê devolução de tributos federais a refinarias e importadores para amortecer o impacto do reajuste da Petrobras sobre os combustíveis.

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Nesta quarta-feira (13), o governo federal implementou uma nova estratégia para mitigar a escalada do preço dos combustíveis no Brasil. A iniciativa central consiste na criação de um subsídio, uma subvenção financiada pela União, visando atenuar o impacto dos aumentos da gasolina e do diesel sobre a população e o setor produtivo.

A formalização dessa ação ocorrerá por meio de uma medida provisória (MP), que será editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O auxílio financeiro, conforme detalhado pelo governo, poderá atingir até R$ 0,8925 por litro de gasolina e R$ 0,3515 por litro de diesel. Contudo, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, esclareceu que, inicialmente, a intenção é subsidiar entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro de gasolina.

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Para o diesel, o subsídio de R$ 0,3515 será efetivado em junho, coincidindo com o término da atual isenção total dos tributos federais sobre o produto.

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Como funciona o subsídio

Na operacionalização, o governo efetuará a restituição de uma parcela dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis – incluindo o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) – diretamente às refinarias e importadores.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) será a responsável por intermediar esses pagamentos, direcionando-os às empresas produtoras e importadoras.

O propósito fundamental é evitar que a integralidade da elevação do preço internacional do petróleo seja transferida para os postos de revenda e, por extensão, para os consumidores finais.

O ministro Moretti descreveu a iniciativa como um sistema de “cashback” tributário, ilustrando seu mecanismo de funcionamento.

"Quando a empresa efetua o pagamento desse tributo, nós o devolvemos na forma de uma subvenção. Essa restituição atua como um 'cashback', capaz de absorver potenciais choques no preço dos combustíveis", explicou o ministro.

Pressão da alta do petróleo

A pressão altista sobre os preços é atribuída pelo governo à acentuada valorização da cotação internacional do petróleo, cenário intensificado pelo conflito em curso no Oriente Médio.

Anteriormente ao conflito, o barril de petróleo tipo Brent era negociado abaixo de US$ 70. Atualmente, seu preço no mercado internacional já ultrapassa a marca dos US$ 100.

A apreensão foi ampliada após sinalizações da Petrobras de um possível reajuste no preço da gasolina nos próximos dias.

Magda Chambriard, presidente da estatal, confirmou que o aumento "vai acontecer já já".

Impacto fiscal do subsídio

Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, um subsídio de R$ 0,10 por litro de gasolina representará um custo mensal de aproximadamente R$ 272 milhões para o erário.

Para o diesel, a cada R$ 0,10 de subvenção, o gasto projetado é de cerca de R$ 492 milhões por mês.

Moretti detalhou que, com o subsídio de R$ 0,40 para a gasolina, o custo mensal para o governo federal será de R$ 1,2 bilhão. No que tange ao diesel, a nova subvenção implicará um gasto de R$ 1,7 bilhão por mês. A necessidade de prorrogação da medida será reavaliada após dois meses de sua implementação.

Apesar dos custos, o governo assegura que a medida manterá a neutralidade fiscal, sem gerar impacto adicional sobre as contas federais.

Rogério Ceron, secretário-executivo da Fazenda, explicou que o incremento nas receitas provenientes de royalties, dividendos e participações do setor petrolífero será suficiente para compensar os gastos.

"É inviável uma neutralização completa, mas é factível agir com celeridade para mitigar os impactos do conflito na vida da população", afirmou Ceron.

Foco inicial na gasolina

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esclareceu que a nova subvenção terá início pela gasolina, justificando que este combustível ainda não havia sido beneficiado por compensações tributárias desde o começo da crise internacional.

Em contraste, o diesel já havia sido objeto de medidas governamentais prévias, como a suspensão de tributos federais e outros programas de compensação.

Vigência e fiscalização do subsídio

O subsídio terá uma duração inicial de dois meses, com a prerrogativa de prorrogação caso a conjuntura internacional continue a influenciar os preços dos combustíveis.

As empresas beneficiadas pelo subsídio deverão aderir a um conjunto de regras que assegurem a efetiva transferência da redução de custos ao consumidor final, conforme exigência do governo.

Adicionalmente, o valor do desconto deverá ser explicitado nas notas fiscais.

Outras iniciativas para conter preços

Desde março, o governo tem implementado uma série de ações com o objetivo de mitigar os efeitos da valorização do petróleo.

  • Isenção de PIS/Cofins sobre diesel e biodiesel;
  • Concessão de subsídio para diesel nacional e importado;
  • Criação de auxílio para o gás de cozinha;
  • Redução a zero de tributos sobre querosene de aviação;
  • Liberação de linhas de crédito para companhias aéreas;
  • Intensificação da fiscalização contra preços abusivos nos postos de combustíveis.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP), em colaboração com Procons e diversas entidades de segurança, reforçou as ações de fiscalização em distribuidoras e postos de combustíveis em âmbito nacional.

Proposta legislativa no Congresso

Em uma frente paralela, o governo encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que visa permitir a utilização de receitas adicionais provenientes do setor petrolífero para a redução de tributos sobre os combustíveis.

Essa proposta contempla a possibilidade de desonerar impostos sobre gasolina, diesel, etanol e biodiesel em períodos de elevação do preço internacional do petróleo.

Enquanto a tramitação do projeto ainda está em andamento, o governo optou pela medida provisória como forma de prevenir um aumento imediato nos preços praticados nas bombas.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Valter Campanato/Agência Brasil

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