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Quinta-feira, 14 de Maio 2026
Lucro do Banco do Brasil despenca 54% no primeiro trimestre sob pressão do agro
Economia

Lucro do Banco do Brasil despenca 54% no primeiro trimestre sob pressão do agro

A instituição reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, com a inadimplência no setor rural sendo o principal fator de pressão em seu balanço.

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O Banco do Brasil (BB) anunciou uma significativa redução em seu lucro líquido ajustado, que alcançou R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, representando uma queda de 54% em comparação ao ano anterior. A retração é atribuída principalmente ao aumento da inadimplência no setor do agro, conforme revelado no balanço divulgado nesta quarta-feira (13).

Diante desse cenário desafiador, a instituição financeira não apenas viu seus resultados trimestrais piorarem, mas também revisou para baixo a projeção de lucro para o ano completo de 2026.

Os dados financeiros mais relevantes do período refletem a complexidade do momento:

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  • Lucro líquido ajustado no primeiro trimestre: R$ 3,4 bilhões, com uma retração de 54% em 12 meses;
  • Provisão (reserva) para perdas: R$ 16,8 bilhões, um aumento de 46% em um ano;
  • Carteira total de crédito: R$ 1,3 trilhão, apresentando crescimento de 2,2% em 12 meses;
  • Crédito ao agro: R$ 418,4 bilhões;
  • Inadimplência do agro: 6,22%, um salto de 3,5 pontos percentuais em um ano;
  • ROE (rentabilidade): 7,3%, registrando uma queda de 9,4 pontos em 12 meses;
  • Lucro projetado para 2026: entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, uma redução em relação à previsão anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

Pressão do agronegócio sobre as finanças

O epicentro das dificuldades do Banco do Brasil reside na carteira de crédito rural. Conforme o próprio BB, a escalada dos atrasos nos pagamentos por parte dos produtores rurais impulsionou significativamente o custo do crédito, compelindo o banco a destinar mais recursos para cobrir potenciais inadimplências.

A provisão para perdas, que representa a reserva do banco para mitigar riscos de calotes, atingiu R$ 16,8 bilhões, um aumento expressivo frente ao primeiro trimestre de 2025. Em comunicado, a instituição reiterou que este incremento nas perdas esperadas decorre primordialmente da crescente inadimplência observada nas operações com o setor rural.

Crescimento da inadimplência e seus impactos

O indicador de inadimplência superior a 90 dias no segmento do agronegócio alcançou 6,22% da carteira rural do banco, marcando um avanço de 3,5 pontos percentuais em apenas um ano. Em contraste, a inadimplência geral da instituição situou-se em 5,05%.

O setor agropecuário tem enfrentado adversidades contínuas desde a quebra da safra de soja em 2024, que sucedeu um ano de produção recorde em 2023. Essa conjuntura resultou em um aumento significativo nos pedidos de recuperações judiciais por parte de produtores rurais nos anos de 2024 e 2025.

Revisão para baixo da projeção de lucro

Em virtude da conjuntura econômica mais desafiadora, o Banco do Brasil ajustou sua projeção de lucro para o ano de 2026. A estimativa inicial, que apontava para um resultado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, foi agora reduzida para uma faixa de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões.

A instituição justificou a revisão com base em diversos fatores, incluindo:

  • O agravamento do risco inerente ao agronegócio;
  • As persistentes incertezas geopolíticas globais;
  • Os impactos diretos sobre a economia nacional;
  • A deterioração dos indicadores macroeconômicos.

Queda na rentabilidade (ROE)

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE), um índice crucial para avaliar a rentabilidade das instituições financeiras, também apresentou deterioração. Em um período de 12 meses, a taxa recuou de 16,7% para 7,3%.

Adicionalmente, este resultado ficou aquém do desempenho observado no trimestre anterior, o último de 2025, quando o ROE havia sido de 12,4%.

Estratégias de mitigação e renegociação

Em resposta à crise no setor rural, o Banco do Brasil intensificou suas estratégias de cobrança e renegociação de débitos. Entre as ações implementadas, destaca-se o programa BB Regulariza Dívidas Agro, visando auxiliar os produtores.

Conforme dados da instituição, os resultados dessas iniciativas incluem:

  • A renegociação de um montante de R$ 37,9 bilhões;
  • A repactuação de mais de 73 mil operações de crédito;
  • O atendimento a aproximadamente 25,5 mil produtores rurais.

O banco também comunicou que reforçou o uso de garantias em suas operações e incrementou as ações judiciais destinadas à recuperação de créditos.

Expansão da carteira de crédito total

Apesar das adversidades enfrentadas, a carteira total de crédito do Banco do Brasil demonstrou resiliência, expandindo 2,2% em um ano e atingindo a marca de R$ 1,3 trilhão. O segmento de pessoas físicas emergiu como um ponto positivo, impulsionado notavelmente pelo crédito consignado.

Ao final do trimestre, os ativos totais do banco totalizaram R$ 2,6 trilhões, enquanto o patrimônio líquido da instituição alcançou R$ 194,9 bilhões.

FONTE/CRÉDITOS: Com edição do Lnove Notícias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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