O Exército brasileiro prossegue com suas operações de rotina na faixa de fronteira, mesmo diante do contingenciamento de R$ 4,3 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa (MD), anunciado pelo governo no final de maio. Além das atividades contínuas, a Força mantém as ações de combate ao crime que já haviam sido iniciadas.
Contudo, o bloqueio orçamentário pode forçar uma reavaliação das ações adicionais de intensificação contra crimes na região, que estavam planejadas, mas ainda não foram deflagradas. Diferentemente do patrulhamento regular realizado ao longo do ano, estas são operações extras. O comando do Exército ainda está finalizando o levantamento das medidas que podem necessitar de ajustes.
Operação Escudo em andamento
A Operação Escudo, nome dado às atividades permanentes do Exército nas fronteiras, engloba vigilância e fiscalização constantes, patrulhamento fluvial e reconhecimento de território. O objetivo principal é reafirmar a soberania e a presença do Estado brasileiro na região.
A operação atua diretamente no combate a crimes ambientais e ilícitos transfronteiriços, incluindo o tráfico de drogas, armas e munições. A Polícia Federal (PF) também participa do esforço de segurança na faixa de fronteira, com o apoio das polícias civis e militares estaduais.
Impacto do arcabouço fiscal
No fim de maio, o governo federal implementou um contingenciamento adicional de R$ 22,1 bilhões, elevando o total de recursos bloqueados em 2026 para R$ 23,7 bilhões. É importante notar que esses valores podem ser desbloqueados até o final do ano.
Este contingenciamento é uma consequência da aplicação do limite de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal, legislação aprovada pelo Congresso em 2023, que substituiu o antigo teto de gastos. O novo marco fiscal visa controlar as despesas públicas.
A limitação de gastos da União é apresentada como uma medida para conter o endividamento público. No entanto, observa-se que os juros elevados definidos pelo Banco Central (BC) representam o principal fator de aumento da dívida.
Enquanto áreas essenciais como saúde, educação, segurança e defesa são obrigadas a se adequar aos limites do Arcabouço Fiscal, as despesas financeiras com a dívida e seus juros não enfrentam restrições orçamentárias equivalentes.
De acordo com os Ministérios da Fazenda e do Planejamento, o bloqueio foi necessário para viabilizar a abertura de créditos destinados a cobrir o aumento de gastos obrigatórios. Entre eles, destacam-se o Benefício de Prestação Continuada (BPC), com um acréscimo de R$ 14,1 bilhões, e benefícios previdenciários, com +R$ 11,5 bilhões.
Em contrapartida, a equipe econômica revisou para baixo a projeção de gastos com o funcionalismo público, com uma redução de R$ 3,8 bilhões em despesas com pessoal e encargos sociais.