O governo federal assegurou o registro do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central (BC), como uma marca de alto renome junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este reconhecimento confere ao Pix a mais elevada proteção legal disponível para uma marca e seu símbolo, conforme a Lei da Propriedade Industrial.
O anúncio foi feito pelo ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão. A decisão visa blindar o sistema contra possíveis infrações em qualquer segmento de mercado.
O que são marcas de alto renome
Marcas de alto renome são aquelas amplamente reconhecidas pelo público devido à sua reputação, prestígio e confiabilidade. A Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996) prevê uma proteção especial para estas marcas.
Com essa designação, o Pix estará protegido em todos os ramos econômicos, independentemente da categoria de produtos ou serviços para a qual foi originalmente concebido. A oficialização do reconhecimento deve ocorrer na próxima publicação da Revista da Propriedade Industrial (RPI), o diário oficial do INPI.
Repercussão internacional e ataques
Recentemente, o sistema Pix tem sido objeto de críticas por parte do governo dos Estados Unidos. Um relatório do escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) apontou que o Pix estaria prejudicando, de forma considerada injusta, empresas americanas que atuam no setor de serviços de pagamento eletrônico, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay.
O relatório sugeriu medidas como a imposição de uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais. Essa postura gerou reações do governo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o Pix, destacando que o sistema é brasileiro, gratuito e rápido, superando em movimentação financeira as tradicionais bandeiras de cartão de crédito. Ele afirmou que a gratuidade e a eficiência do Pix podem impactar os negócios de empresas americanas no Brasil.
“A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e tá resolvido o nosso problema”, declarou Lula em um evento em Goiás no início de junho.